Fim da Encruzilhada
Há 3 meses
Cultura, esportes, filosofia e lifestyle.
No Brasil, a maioria dos empregados e profissionais no fundo tem medo de pedir um aumento de salário ou de cobrar mais caro. Cobrar mais significa criar um cliente mais exigente, que irá reclamar toda vez que o serviço não corresponder ao preço. Cobrar menos é sempre a saída mais fácil, dá muito menos problemas, menos reclamações, como no meu caso. É preciso ter coragem para cobrar mais e assumir as responsabilidades inerentes. A maioria prefere o comodismo e a mediocridade do "preço tabelado". Só que, se cobrar o mesmo que os colegas menos competentes, você estará roubando clientes deles, e é isso que cria inveja e maledicência. Você estará fazendo "dumping profissional", estará sendo injusto com eles e consigo mesmo.
Eu sei que é difícil cobrar mais caro, mas alguém tem de dar o exemplo, mostrar aos outros profissionais o caminho da excelência, implantar novos padrões, como pontualidade, por exemplo. Você será o guru da nova geração, e a inveja que terão de seu novo preço fará com que eles passem a copiá-lo. E, à medida que seus colegas se aprimorarem, sua vantagem competitiva desaparecerá e você terá de reduzir o preço novamente ou então melhorar ainda mais seus serviços.



Positivo (utilize:) | Negativo (no lugar de:) |
Amor | Paixão |
Zelo | Ciúme |
Erotismo | Luxúria |
Raiva | Ódio |
Orgulho | Vaidade |
Ambição | Cobiça |
Admiração | Inveja |
Precaução | Medo |
agressividade | Violência |
Sinceridade | Franqueza |
prosperidade | Opulência |
Diplomacia | Hipocrisia |
Liberdade | Anarquia |
Disciplina | Repressão |
Sugestão | Crítica |
Colaboração | Reclamação |
A frase acima tem sido ouvida em Manhattan cada vez com mais frequência, relata o "New York Times" na reportagem "O fim do esquecimento", na capa de sua excelente revista dominical.
A tese é que a internet é um fundo infinito que guarda tudo para sempre, incapaz de defender reputações e com mecanismos de busca cada vez mais precisos para localizar qualquer desvio de conduta uma vez registrado.
A web tornou-se, entre muitas outras coisas, plataforma global para o exibicionismo 3.0. Há um revelador e crescente apetite para exibir amigos, gostos, fotos, músicas, seguidores, localização, programas, enfim, a vida. E um eterno apetite por notícias ruins. "Bad news, good news" sempre foi a lógica do noticiário replicada (e acentuada) na internet.
Por isso é preciso tomar cuidado com o que você faz quando mergulha nesta tela aqui. Atrás dela estão bilhões de olhos, ouvidos, bocas e dedos digitadores.
Relata o artigo do "Times":
1) O Facebook já tem 500 milhões de membros, ou um em cada cinco internautas. Todo mês eles gastam mais de 500 bilhões de minutos no Face e compartilham 25 bilhões de conteúdos.
2) O Twitter tem mais de 100 milhões de usuários, e a Livraria do Congresso americano anunciou que armazenará permanentemente todos os posts públicos do Twitter desde 2006.
3) Técnicas de reconhecimento facial já permitem que se vasculhe a web em busca da foto de uma pessoa mesmo que o nome dela não esteja associado à imagem.
Estamos registrando tudo na web, uma exposição tão genuína quanto voluntária.
Queremos nos relacionar, e se relacionar é se exibir.
Se antes era possível exibir, relacionar e depois esquecer, hoje há uma chance enorme, tanto maior quanto mais digitalizada a pessoa, de você mesmo registrar para a prosperidade o que você um dia vai querer muito esquecer.
Uma canadense de 66 anos, relata o "Times", perdeu o direito de entrar nos EUA depois que o funcionário da imigração achou na internet texto seu elogiando o LSD. Já uma professora americana perdeu o emprego por ter postado uma foto sua numa festa exaltando bebidas.
Já há um aplicativo para o iPhone chamado Date Check, que oferece perfil sobre a pessoa com quem você quer sair vasculhando fichas criminais, histórico de endereços e informações obtidas nas redes sociais.
A enorme maioria das empresas dos EUA já usa redes sociais para checar candidatos a empregos. As brasileiras fazem ou logo farão o mesmo. Aquela sua foto bêbado com cigarro na boca que você ou um amigo seu postou um dia desavisado pode aparecer no meio da sua entrevista.
Os americanos, que inventaram tudo isso, já estão dando o próximo passo.
Nasce a indústria da reputação digital: o que já é feito para empresas, entes públicos por natureza, chegou à pessoa física, cada vez mais pública.
Um professor de cyber legislação de Harvard já defende a "falência de reputação", que poderia ser decretada pela pessoa que se sente incapaz de defender sua imagem na internet. Decretada a falência, arquivos difamatórios poderiam ser eliminados.
O Google já tem um serviço que tenta combater postagem sob influência do álcool, que pode causar quase tanto estrago quanto dirigir bêbado. Acionado o mecanismo, o usuário terá de resolver um simples teste de matemática para confirmar o envio do post/mensagem.
A internet é a mudança mais transformadora da história recente. Ela conecta todas as pessoas o tempo todo. E isso é um avanço fundamental, seminal, que está apenas começando a se realizar.
Acho que foi o filósofo Woody Allen que disse que se um extraterrestre analisasse a Terra, o sofrimento que os homens causam a outros homens chamaria mais a atenção do alienígena do que nossos grandes feitos na engenharia, nas artes, na economia.
Dada essa tendência, e a permanência da internet, talvez seja melhor mesmo você não tuitar o que está pensando.
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